Nada mais legítimo que a vontade própria.

"Arre! Estou farto de semideuses!" - Fernando Pessoa

mercredi 3 novembre 2010

Criticar é fácil...

Minha família materna é maranhense, meu avô é alagoano. Visitei o nordeste muitas vezes quando pequena. Nasci no Rio, morei em São Paulo. Foram 14 anos de sudeste. Quando soube que viria morar em João Pessoa, foi um choque. Eu não queria vir porque não queria deixar meus amigos, meu colégio, todo aquele mundo adolescente seguro e cheio de possibilidades.

Confesso que tinha uma idéia muito reduzida do que era João Pessoa, porque, até um dia desses, era uma cidade sem nenhuma projeção nacional. O nordeste se limitava, há pouco, à Bahia, Natal, Recife. A Paraíba começou a explorar seu potencial turístico somente agora. Quando contei pros meus amigos que viria para cá, foram muitas as piadas: “vai pra escola de jegue!” “Vai arrumar um namorado cabeção!”... E eu juro que fiquei apavorada. Mas eu era jovem e, como a juventude não é desculpa pra desinformação – não nos dias de hoje – era completamente limitada, nesse quesito. O que era a Paraíba, em 1999? Pra mim, só um estado com uma bandeira que dizia: NÊGO. Sim, NÊGO, pois eu pensava que se referia aos negros, e não à frase do presidente João Pessoa. Como já disse Nelson Gonçalves, numa frase que gosto muito, “A ignorância é a Pedra da Gávea”: sempre existiu e vai continuar a existir. Mea Culpa.

Juro que, quando chegamos, me espantei de ter encontrado o Mc Donald’s e outras coisas mais. Porque a idéia que eu tinha de João Pessoa é uma versão light do que se tem dito por aí. E, hoje, fico extremamente chateada porque isso é a mais pura mentira. Me sinto pessoalmente afrontada porque o nordeste é lindo, tem muita riqueza, ao contrário do que os paulistanos e sulistas, principalmente, tem dito. Somos ricos em Petróleo, em refinarias de açúcar, em plantações de abacaxi, algodão, e muitas outras coisas. Coisas que todos vocês, preconceituosos, consomem, sem nem pestanejar sobre o assunto.

Ao contrário do que se tem dito, nós – porque eu também sou nordestina, de sangue e de coração – não somos dependentes de qualquer bolsa, de qualquer governo. Temos intelectuais da mais alta estirpe, desenvolvemos trabalhos acadêmicos e tecnológicos idênticos aos do sudeste e do sul. Temos a faculdade de tecnologia mais aclamada do país – a UFCG, e muitos outros aspectos pessoais e culturais que deixariam qualquer um desses, de mente limitada, completamente embasbacado. Ou não. A ignorância tem certos limites que não permitem a reflexão.

Acredito que a formação política de um indivíduo seja pautada pelos mesmos termos que a religião: alguns seguem a que estão acostumados a ver, em casa, depois encontram alternativas melhores, ou nenhuma. Isso não tem nada a ver com berço, com região geográfica. Tem a ver com escolhas pessoais que qualquer um pode ter. Tenho amigos das mais variadas linhas: filósofo, sociólogo, médico, enfermeiro. A maioria deles tem pós-graduação, especialização, mestrado, doutorado. Todos são nordestinos. Cadê a burrice de que tanto se fala? Eu devo tudo o que aprendi, todo o interesse que tenho pela literatura, pela história e pela arte a amigos nordestinos. Sempre que penso no Rio, minha cidade natal, me custa comparar as informações a que tive acesso aqui com a realidade que vivi lá. E o mesmo acontece quando tento equiparar com o que percebi em São Paulo. Mas, é claro, sempre me concedo o benefício da dúvida.

Aqui, encontrei liberdade, me formei, numa Universidade Federal, encontrei o amor, fiz amigos maravilhosos. Há quase três anos, tive a sorte de ingressar num trabalho que me permitiu conhecer de perto a realidade daqueles que, ao contrário dos meus amigos bem formados, precisam de pouco mais de cem reais para sobreviver. O trabalho na Fundação de Defesa dos Direitos Humanos Margarida Maria Alves me apresentou horizontes completamente obscuros para a classe média, preocupada com o consumo, com o ter e com os Mc Donald’s da vida. Isso porque a pobreza, tanto financeira quanto de espírito nos é invisível no dia-a-dia. Não que esteja escondida: é um dos princípios mais básicos do ser humano a autopreservação. E Narciso acha feio tudo o que não é espelho.

No trabalho social, na iniciativa popular, podemos perceber que existe, sim, muita coisa sendo feita para melhorar a situação dos menos favorecidos, que o são por causa do modelo injusto de nossa sociedade, da dificuldade de se vencer através do mérito quando não se nasceu com algum bem. Porque as pessoas pobres do nordeste – de todo esse país, na verdade, não o são porque o querem. Ninguém quer o pior pra si, dizer isso é uma atrocidade imensa. As pessoas não são preguiçosas. Apenas percebem que, quando não se tem um resultado à curto ou médio prazo de um esforço, é melhor, para continuar sobrevivendo, permanecer recebendo a ajuda do governo. Existem, sim aqueles que são marginais, que gostam mesmo do crime, e que governo nenhum vai conseguir ajeitar. Mas essas pessoas não são a maioria, em nenhum lugar deste país imenso.

Na Fundação, desenvolvemos trabalhos diretos para essas pessoas, através da educação e da promoção do acesso à justiça. Pudemos perceber, nestes 16 anos de estrada, que existem, como em qualquer outra circunstância, os que querem e os que não querem ser ajudados. Infelizmente, os últimos são maioria. Mas é por causa dos que querem melhorar, dos que acreditam que a vida não é só morrer de trabalhar para comprar o pão e que a educação – sua e de seus filhos – é a melhor saída, que os movimentos sociais continuam na ativa. É por causa dessas pessoas que se deve continuar trabalhando.

Por isso, ao invés de usar nossa liberdade de expressão, tão duramente conseguida para dizer asneiras e afrontar quem não merece ser alvo dessas coisas, não vamos ajudá-los? Tenho certeza que qualquer um que utilizou Redes Sociais para tanto mal possui alguma qualidade ou habilidade para passar adiante. Vamos fazer isso? O Brasil inteiro agradece.

mardi 20 avril 2010

LONELINESS

Às vezes me sinto só. Só como alguém que viveu uma vida inteira de aventuras, de oportunidades, e, no fim, parece ter perdido tudo. É sempre das duas, uma: ou eu ou meus amigos se mudam, ficamos longe uns dos outros; pode ser que a distância seja grande, dentro de uma mesma cidade, pequena, em outros estados, ou enorme em outros planos espirituais (se é que eles existem).
No entanto, mesmo amando, constante e crescentemente a mesma pessoa, que me completa, me entende e me acolhe, do jeito que sou, sinto que me falta um pouco de filia, ou seja, o amor de amigo. Mas como, se tenho vários amigos? Acho que sou do tipo que abaraçaria o mundo, se pudesse, e tentaria conhecer todos, um por um. Impossível.
Tenho pessoas que marcaram a minha vida, como todos tem. Acho que gostaria mesmo era de ter contato contínuo com todas essas pessoas que tem algum significado pra mim. Algumas eu tenho, mas as que eu não tenho me fazem falta. Por quê? Sou auto-suficiente (pelo menos acredito ser, nesse sentido, mais que algumas pessoas) e entendo que a vida faz mesmo essas coisas: separa os que tem maior afinidade por diversos motivos, desde geográficos até psicológicos ou comportamentais: a falta de convivência por causa dos horários corridos, do trabalho, dos estudos, e até mesmo a mudança de interesses. Sei que todos esses quesitos acontecem comigo... Mas qual o motivo de termos aqueles amigos que não vemos à décadas e, quando o reencontro acontece, parece que não houve separação? Qual o motivo de nos sentirmos mais à vontade com algumas pessoas? Não queria estar com tantas perguntas.

Enfim, para os que eu quase não vejo, os amigos que considerei amigos um dia, que hoje são só conhecidos, desejo o de sempre: muito amor, carinho, sucesso, felicidade, dinheiro... e que reatemos nossos laços um dia.

mardi 24 mars 2009

Reencontro

Crônica antiga,escrevi no ano passado, mas, por falta de tempo, não a disponibilizei aqui. Agora vai. Não tem jeito de manter esse pobre atualiozado!


Naquela segunda-feira, 13 de outubro, a noite estava escura; a lua brilhava soberana num céu enevoado e sem estrelas. Eu havia combinado um encontro com um amigo no apartamento que dividíamos meses antes. Peguei a carona costumeira, do trabalho, e desci perto do supermercado onde habituávamos fazer as compras, e lá fui adquirir a indispensável Coca-cola.

Tudo mudara: as seções estavam mais organizadas, os corredores, largos; mais variedade de produtos e iluminação decente. Eu estava triste desde ali. Morar naquele apartamento foi a primeira aventura autônoma: aos 22 anos, eu me sustentei durante 4 meses, feliz e autoritária, realizando um sonho de infância. Mas, de repente, tudo acabara. E, depois daquela fatídica mudança, há 120 dias, eu nunca mais pisara os pés lá.

No caixa, a luz acabou. Esperamos alguns segundos; a luz voltou, mas deixou os computadores sem funcionar. Desisti da compra e, a um passo da saída, a luz faltara novamente, de vez. Saí sem olhar pra trás e sem me importar se me dariam como ladra ou não.

Andei automaticamente pelas ruas seguintes, num caminho conhecido. As pessoas continuavam a correr na escuridão da praça, imersas em seus mp3 players; a padaria continuava a vender pães, à luz de velas, parecendo mais uma romaria, e o meu coração continuava apertado pela aproximação do reencontro. O ônibus logo veio e, de repente, percebi que também sentira falta dele e de suas voltas intermináveis, horários impraticáveis e lotação exacerbada. No meio do caminho, vi que naquela porção do bairro a luz também faltara. Observei, curiosa, as ruas desertas e silenciosas, e simpatizei-me com a ocasião. Duas mulheres reclamaram que a escuridão dava medo; eu não tinha receio algum, pois me identificava com ela.

Saltei. Na rua enlameada e cheia de terrenos baldios, respirei o ar frio daquela noite especialmente silenciosa e desejei voltar à segurança e luminosidade do ônibus errante. Tarde demais. Abri os portões com facilidade, pois minhas mãos já conheciam seus macetes. Subi as escadas às cegas, escutando os vizinhos conversarem abafadamente através de suas portas, e, com o auxílio do celular para vencer a escuridão total, abri a porta do apartamento. Automaticamente pensei nas gatas que criávamos e me peguei querendo encontrá-las atrás da porta. Não havia nada ali.

A estante de ferro que usávamos na cozinha estava na sala, desocupada. Eu a levaria embora, quando pudesse, pois a prometi a outro amigo. Tateei atrás de um maço de velas que havíamos comprado na última feira; encontrei dois tocos e mais nada. Com dificuldade, acendi um deles, e fui explorar os outros cômodos.

O quarto de M. ainda conservava a cama de casal, mas não havia mais livros por todos os lados para indicar sua presença. O quarto não era de mais ninguém. O banheiro estava sujo, mas tive de parar lá para aliviar-me, antes do resto. Dirigi-me ao quarto de R., sempre bem trancado quando na nossa presença, e, de pirraça, acendi um cigarro. Observei as fotos nos porta-retratos e a cama com lençóis revolvidos. Senti-me estranhamente observada, e saí, fechando a porta.

O espelho no fim do corredor teimava em refletir meu rosto sombrio à luz da vela agonizante. Abri a porta do meu antigo quarto. O vento uivava, e eu sentia pertencer a um filme de terror. Não havia mais nada lá que indicasse que um dia fora meu, a não ser a lembrança carinhosa dos meus pertences metodicamente dispostos durante a mudança; alegrava-me ter, pela primeira vez, um quarto para chamar de meu. Era grande, iluminado, e poderia passar o dia inteiro apenas admirando-o. Agora, olhando mais atentamente, pude apenas reconhecer os furos onde antes eu colocara prateleiras; na minha saída, fiz questão de tapá-los com massa corrida, mas sobraram alguns. Não tive coragem de sentar-me na cama, que ainda permanecia lá. Senti-me novamente observada e, sem perceber, deixara cair cinzas no chão. Voltei para a sala.

No sofá, ocupei-me com a Coca e mais cigarros, divagando livremente, lembrando de passagens engraçadas naqueles cômodos, até encontrar uma revistinha de palavras cruzadas. Puxei o toco de vela para mais perto, na mesa de centro abarrotada de papéis e DVDs, e pus-me a completar as que não tinham sido concluídas. Acendi o outro toco de vela antes do primeiro morrer e lá fiquei, imersa em verticais e horizontais, até que a luz voltou. Com a claridade, pude ver tudo mais detalhadamente, e, como mágica, não pude mais reconhecer onde estava. Aquele apartamento nunca fora meu lar, embora eu assim o tratasse. Sem mais opções, liguei a TV e fiquei à espera de M., que chegou quando precisei ir ao banheiro novamente. O sorriso, o abraço e as palavras que diziam também sentir falta de nossos dias, confirmaram a suspeita que, embora pertencente a outrem, fomos, sim, felizes ali.

lundi 17 novembre 2008

Da Graduação através do Ócio


Conciliar graduação com emprego não é moleza, e o digo por experiência própria: desde antes do início deste martírio em quatro anos, já dançava meus primeiros passos no mercado de trabalho. No entanto, favorecida por um curso matutino (embora alguns professores teimem em acreditar que as aulas devem terminar às 13:00), tirando algumas crises de estafa, labirintite e inflamação nos rins, devo dizer que a graduação passou em branco não só pelo meu conceito medíocre como aluna, mas também pelo desinteresse em participar de certas rodinhas ou, no mínimo, bajular professores desinteressados por causa de uma mísera bolsa de monitor.

Tenho aversão pelos movimentos estudantis por não achá-los pertinentes; a era de lutar já passou, infelizmente, minha gente, e a maioria dos alunos não sabe nem por onde devem começar, aceitando, em sua inocência, reforço daqueles que tencionam "derrubar".

De Encontros estaduais, nacionais, regionais ou outros, não participei -a responsabilidade com o trabalho nunca deixou e nunca fui propensa à dias de bebedeira, azaração e dormidas em sacos de dormir em outras universidades, embora reconheça que, no todo, a aventura deva valer à pena.

Atividades extra-curriculares, voluntariado, nunca sequer tomei conhecimento: o DECOM preza pela desinformação de seus alunos. Curso de extensão? Nã. Publicação? Nãnaninanão.

Mas, é claro, o pior de todos os flagelos acadêmicos eu já sofri: fui estagiária (antes da lei 11.788, óbvio!) e, sim, me orgulho muito disso, embora tenha resultado em algumas desilusões. A quem interessar possa, meu C.R.E. é 8,62.


A falta de estímulo que encontramos no Curso de Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal da Paraíba é tamanha, que concluo: Poderia, sim, ser um curso à distância, daqueles que só se tem vídeo-aula aos sábados. Reconheço que me inspirei em parte de trabalhos da internet, que fiz prova sem ler os textos, que pedi para outros assinarem a lista de presença por mim. Reconheço que, enquanto isso, nos assuntos de maior interesse pessoal, terrivelmente ignorados pelos professores em sala de aula, estudei madrugadas à fio e gastei grande parte dos meus salários com filmes, peças de teatro e livros - o que me possibilitou opinar, de maneira autêntica, para compor a outra parte dos trabalhos inspirados nos da internet, tirar dez na prova que não li os textos indicados pelo professor, e, mesmo sem comparecer à todas as aulas, chegar ao sétimo dos oito perídos que, teoricamente, nos formam Jornalistas.

Pergunto: sem essa dedicação pessoal, sem essa vontade e sem essa convicção de que o interesse pessoal é o diferencial, é possível se chegar à algum lugar?


Defendo ferrenhamente a regulamentação da profissão de jornalista, exigindo currículo e tudo o mais para sua execução, mas, ao contrário das camisas dos alunos do primeiro período, não me engano - A verdade tem, sim, um preço: seu tempo fora das salas, seu tempo fora dos D.A.s., dos Pseudo-Movimentos.

Levante e Lute, não! Sente e estude.

jeudi 9 octobre 2008

Here we go again...

Bandeira branca, efim!

No pobre histórico deste abandonado blog, é possível reconhecer assuntos recorrentes, principalmente depois de hiatos entre postagens (este último, PASMEM, durou 10 meses!). Um deles, é o bendito trabalho, emprego, trampo, bico, estágio... chamem como quiser.
Volto, intimamente prometendo não ausentar-me mais por tanto tempo, novamente de emprego novo, ganhando mais e melhor. Só que o "emprego novo" já existe há 8 meses felizes.
Sou "concursada" na Fundação Margarida Maria Alves, uma ONG de Defesa dos Direitos Humanos. Digo "concursada" porque fiz uma prova de redação e uma entrevista, concorrendo com mais 59 pessoas. Foi uma chance maravilhosa, mostrada por uma colega, que abracei sem muitas expectativas. No fim, tudo certo, emprego fantástico, lugar maravilhoso, colegas de trabalho divertidos e compreensíveis.

Quando comecei este blog, em 2005, funcionava mais como um diário de uma não-mais-adolescente-e-ainda-não-adulta, contando frustrações, restrições e pensamentos de uma pré-universitária federal clamando por um espaço no mercado de trabalho. Deve ser por isso que este é o tema mais discutido, mesmo depois da transformação deste espaço numa vitrine de crônicas.

Por falar nelas, este hiato também significou uma parada de produção textual que me aflinge. Só de publicar este post, estou praticando um exercício que há muito não fluía: escrever de improviso. Tenho vários rascunhos em casa, em pedaços de panfletos e programas de concertos, apressadamente tomados como berço de idéis que, na hora, me pareciam incríveis - ainda são - mas que não receberam a devida atenção para amadurecer e tranformar-se em textos plausíveis. Estou quase lá.

Nesses 10 meses de ausência, muito aconteceu: coisas ótimas e ruins, mas não comentarei nenhuma delas; prefiro reabrir o espaço com estes anseios mal organizados, no intuito de garantir uma linha de produção "cronical" ativa. Gosto muito de olhar as postagens antigas e constatar como mudei - pessoalmente e textualmente, criticando minha própria performance, às vezes. Regozijo-me com comentários de amigos e, daí, tiro forças para não deixar-me engolir pelo cotidiano, nem deixar o tempo me engolir, como certa vez postei, referindo-me à um poema de Borges.

Já estou no sétimo período; um piscar de olhos de tornar-me, oficialmente, JORNALISTA. A ficha só caiu quando na pré-matrícula:

- Você é pré-concluinte?

Automaticamente, repsondi que sim. Mas, ao encarar as disciplinas ofertadas, a idéia foi fincando no meu cérebro, que, por fim, gritou:
- Meu deus! Que farei em seguida?

Planos existem, aos montes. Na verdade, já havia pensando até no TCC antes, e, hoje, gostaria de pedir à coordenação do curso que me deixe fazer vários; revista, documentário, monografia... idéias não me faltam; aliás, nunca faltaram. Este cérebrozinho angustiado e ansioso às vezes não me deixa dormir, tal o fluxo de pensamentos. Como disse antes, faltava só a prática esquecida.

Ultimamente, tenho andado por vários blogs e pensado no meu. Eles me deram disposição para continuar a escrever e esperar, sempre ansiosamente, por elogios. Afinal, nunca disse que não possuo ego.
Sei que postagens grandes afastam leitores menos entusiasmados, mas,assim como nas minhas redações de colégio, o espaço sempre me parece pouco, e limites são para os pequenos.


"A inelutável preocupação
com O Verbo dá ao poeta
uma vantagem sem preço:
enquanto os nãofazedores
devem contentar-se com o
fato simplesmente
irrecusável de que dois e
dois são quatro, ele se
compraz com uma verdade
puramente irresistível (a ser
encontrada, de forma
sintética, no título deste
volume)."

- introdução ao livro: "São 5" - e. e. cummings

lundi 15 janvier 2007

De volta à ativa

Perdoem-me, caros amigos leitores (eu imitando Machado; tô quase lá, né?), mas o turbilhão de problemas e emoções vividos nestes últimos dois meses não me deixaram escolha: vida real ou meu pobre blog?
Como resido e vivo na primeira opção, esta teve de ir para escanteio, mas esta má-fase terminou. Volto com emprego novo, melhor, ganhando mais e mais feliz. Ainda agarrada ao amor da minha vida, o Breno, que ainda mora em Campina, me trocando por um bando de cadáveres cinco dias na semana; ainda com a gata mais chata do mundo, e a família mais louca possível.
E feliz.

Aprendi muitas coisas, também, nesse ínterim.

E, para abrir com chave de ouro, coloco aqui a minha última crônica, da qual tenho muito orgulho, feita quando Seu Saddam morreu de morte matada.

Aproveitem a leitura, e saibam que sinto saudades absurdas de todos vocês, críticos fiéis.

Mil beijos.




Procuram-se novos Ditadores

A pressa em livrar o mundo de uma figura tão emblemática como Saddam Hussein fez com que os mais interessados pelo seu extermínio perdessem o momento crucial: seu enforcamento aconteceu às escondidas e filmado apenas parcialmente. Por que privar os sobreviventes de tanto terror da visão da morte de seu agressor? O que acontece com o escarcéu que sempre se fez acerca das fatalidades de guerra? Durante anos, os feitos macabros do déspota foram televisionados à exaustão, e acompanhamos a transformação do aliado em inimigo, depois da invasão do Kuait. Os investimentos feitos pelos americanos em armamentos, anos antes, quando ainda reinava a política da boa-vizinhança, ajudaram a revelar a verdadeira face do Iraque. E era muito fácil reconhecê-la: a enorme quantidade de estátuas, monumentos e pinturas com o rosto do homem mais poderoso do oriente era opressiva, assim como seu caráter.
Os estado-unidenses não se contentaram em saquear os luxuosos palácios, depois da fuga de seu dono, apossando-se de bens inomináveis – assim como nas Cruzadas – e em destruir o estigma da figura imponente ao vincular para todo o mundo a forma com que o tirano, que tinha o costume de atirar para o alto em meio às manifestações públicas de apoio ao seu próprio governo, foi encontrado, refugiado numa cratera subterrânea: cabelos desgrenhados, barba por fazer, roupas em desalinho e olhar perdido, cansado, vencido. Tinham de vê-lo morto, e logo.
A tentativa de pintar a extinção de Saddam como um ato de paz apenas reforçou a semelhança com os autos-de-fé medievais. Os que apoiavam a sentença clamavam por análogo espetáculo em praça pública, mas o governo americano, ávido por mostrar algum resultado em sua guerrinha para o petróleo - que até agora tirou a vida de mais de 3.000 soldados – concordou com a ação reservada, quase secreta, para deleite próprio, sem gritos ou aplausos. O presidente da maior potência mundial declarou que dormia na hora da execução, em plenas férias no Texas. Dormia o sono dos justos?
A gravação foi interrompida antes da queda do cadafalso, e o semblante sem vida de um dos maiores ditadores do mundo foi mal e parcamente captado através da câmera de um celular. Com isso, podemos levantar questionamentos semelhantes à morte de Hitler, por exemplo. Afinal, se não houvesse a cena final, poderíamos pensar num engodo. Felizmente, o que nos salva de tão grotesca dúvida é este sentimento de vingança tão presente em Bush, tanto para o nome das vítimas do atentado de 11 de Setembro de 2001, quanto para o de seu pai, teoricamente traído nos anos 90. A pena foi aplicada apenas dois meses depois de sua determinação.
É de acordo com esse modelo hipócrita de conduta que Cuba insiste que a saúde de Fidel está boa, que houve quem chorasse a morte tão sublime de Pinochet, que não foi a julgamento, que vemos o neonazismo surgir, de tempos em tempos, cada vez mais presente.
Vivemos a era da supressão sucessiva dos tiranos remanescentes, acompanhando, ao mesmo tempo, a movimentação no jogo do poder para a escalação dos seguintes. Serão tão simbólicos quanto seus antecessores?
Existem pessoas defendendo Saddam, que já não tinha mais influência alguma nas movimentações políticas e serviu de bode expiatório para o insucesso americano. Já se explodiram carros-bomba em sua homenagem, para tentar encobrir a festa dos que queriam sua cabeça, e virão muitos mais.
Grandes nomes não desaparecem assim, enquanto dormimos.
Temos um novo mártir, senhoras e senhores.
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Ceci n'est pas une pipe - Isto não é um cachimbo
(1929)
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Uma das lições mais importantes eu já tinha visto com René Magritte. Mas, como sempre, fazemos ouvido de mercador às coisas mais evidentes. Aos responsáveis por tamanha bagunça, agradeço: vocês melhoraram minha vida completamente. E, à Magritte: EU TE AMO!
Não confundam representação com a realidade, pois, assim como são as pessoas, são as criaturas, já disse alguém. E as pessas adoram representar.
(não teve quem fizesse o blog permitir a postagem direta da imagem aqui, neste texto; daí o hiperlink. =/)

mercredi 8 novembre 2006

Unfair decisions...


I know I was unhappy: with life, everybody is. Show me someone completely happy...But that doesn't mean that I was planning to leave SOON. I had no other perspective. Although the administration of that whorehouse can be compared to a cat shit, I loved the God damn place. Now I don't love anymore. I'm hurt, you know? I'm not an object you can just throw away when it doesn't entertain you anymore. But I learned that a lot of people doesn't know the meaning of the word dialog. Meanwhile, the exploration is freed: doing this, I would go to Europe twice a year, too.

I'M COMPLETELY DISSAPOINTED.
She DIED to me and his weak and commanded personality is confirmed, more than ever.
I'm so embaraced that I'll never enter in that building again, and I'll be the major bad publicity they ever had.

But I have the cards hidden.
They're think they're so clever. I'm clever too.
Better days will come. Very soon.

I'm better than that.
I deserve more.

Can you understand this?
Of course you don't.


I have full knowledge of my rights.

It's a crying shame.

I'll never regret to have said what I think about them and that place, or to have complained about the "injuries" I was suffering.

I'll go on.

Please forgive my bad english.

jeudi 2 novembre 2006

Não há nada pior que o descaso, desprezo e desconsideração diante de qualquer esforço. Quando nos dedicamos com entusiasmo em algo em que acreditamos, quando colocamos um propósito em destaque, supondo que, num futuro próximo ou distante, ele surtirá algum efeito ou trará algum benefício, qualquer decepção é devastadora. Sinto-me ultrajada, usada. Sou jovem, não preciso me submeter à tais ditaduras. Mas, no momento, a subserviência é minha única saída: mesmo gozando de plena saúde e capacidade mental, o fato de não ser concursada e de ainda freqüentar o ensino superior me submete à qualidade de trabalhador na qual me insiro. Sou estagiária, com contrato assinado e tempo de trabalho previsto. No entanto, meu intelecto destacou-me para galgar posições mais dignas, o que de fato, faço. Mas não recebo nada por isso, sequer reconhecimento. De quê adianta abdicar horas de lazer e estudo para produzir com total vapor algo que não me trás um resultado material? Metafísica não é para mim, Platão que me desculpe. Vivo no capitalismo, time is money, e ele não dá em árvore, como muitos pensam.


“Nosso dia vai chegar, teremos nossa vez
Não é pedir demais, quero justiça
Quero trabalhar em paz
Não é muito o que lhe peço:
Eu quero trabalho honesto em vez de escravidão
Deve haver algum lugar onde o mais forte não consegue
Escravizar quem não tem chance
De onde vem a indiferença temperada à ferro e fogo?
Quem guarda os portões da fábrica?
O céu já foi azul, mas agora, é cinza
E o que era verde aqui, já não existe mais
Quem me dera acreditar que não acontece nada
De tanto brincar com fogo, que venha o fogo então.
Esse ar deixou minha vista cansada...
Nada demais”

Fábrica – Legião Urbana

Não quero mais pensar que esse esforço em vão é algo comum. Não devemos empregar dedicação em algo que não surte efeitos satisfatórios. Temos todo o cabimento de reclamar o que merecemos por direito e o que pensamos que valemos, e eu sei que valho muito, que não sou comum; aliás, tenho consciência da minha extraordinária capacidade, porque trabalho muito para que ela se desenvolva cada vez mais.

A modéstia é para os medíocres, já disse Anita, parafraseando seu querido Armando.

Não vou mais servir de burro de carga: quem quiser que arrume outro, porque Andréiazinha aqui está de partida. Só ainda não sabe pra onde, nem quando, mas de partida, definitivamente, para condições de trabalho menos servis.

mardi 26 septembre 2006



Um corte de cabelo e uma tintura vermelha mais chamativa que a que eu costumava usar e... voilà: recebi uma chuva de elogios e sorrisos! Ah, se fosse sempre assim... não com todos a me elogiar, mesmo sendo maravilhoso e justíssimo, por causa dos meus vários dons, "éticos", "estéticos" e críticos (Aristóteles remexeu-se no túmulo...), mas se observássemos as pessoas de forma menos crítica, afim de perceber suas qualidades e identificar-nos com elas. Viveríamos menos estressados.

Tudo bem que comecei com esse papo de auto-ajuda, mas realmente estou feliz com meu "novo visual" e a "repercussão" que ele tem alcançado. Receber elogios faz muito bem.

Meus temas para conversa não têm sido os mais animadores: meu eterno cansaço, dificuldade em organizar o tempo e escassez financeira são os mais recorrentes. Sorte que o último está se resolvendo, pois coloquei algumas coisas em xeque, mas ainda não é o tão sonhado fim. Fico triste comigo mesma.


Por isso, não tenho sobre o quê discorrer, a não ser que estou empolgada com a chegada do meu aniversário. Espero receber vários presentes e divertir-me muito!


"O que de um olhar não foi captado,
nos lábios não será encontrado,
pois o que diz um olhar
é o que a boca não soube falar,
é o que no peito ficou calado."
-
Ruca

Comentem...

vendredi 8 septembre 2006

Estou tendo dificuldade em organizar meu tempo. Tá tudo tão corrido, tão estressante, que quando chega o final de semana, a única coisa que quero fazer é dormir; se fizer isso, não poderei aproveitar meus livros e dvds, abandonados há séculos, e, se escolher por manuseá-los, fico tão cansada que só quero dormir. Que impasse! Estou precisando de um energético ou coisa parecida: anfetaminas, pós e afins, porque o dia está muito curto e lento. Demora a passar e quando chega ao fim, não presto mais pra nada. Será que estou velha?

Depois de tanto tempo postando crônicas, parece que estou sem ter o que dizer, a não ser o que já disse; de novo, somente meu cargo de Jornalista do Zarinha Centro de Cultura (pensou em dinheiro, não foi? Pois não pense. Continua na mesma), que é FANTÁSTICO, mesmo com contratempos. Todos os eventos do Centro contarão com a minha presença e com uma matéria no site. Visitem, por obséquio: www.zarinha.com.br
Os textos sempre estarão na seção NOTÍCIAS. Agora sou Jornalista e Recepcionista do mesmo lugar. Odd, huh?

Sim, meu horário de trabalho também mudou, estou saindo às 19:00 agora. Mas ainda não consegui me organizar.

Estou sem tesão no curso este semestre. Coisa mais chata! Só duas cadeiras se salvam e das outras três, uma é neutra; as outras duas, INSUPORTÁVEIS. E são no mesmo dia. Terça-feira. É o INFERNO NA TERRA. Ah, se pelo menos eu pudesse estar acompanhada de Dante e Virgílio...
Sem falar nas milhões de xerox!
Mais um pouco e chegarei à bancarrota.


Finalmente estou conseguindo enxergar luz no fim do túnel de problemas financeiros. Falta só aprender a controlar o impulso de compra. Mas eu consigo.

Bom, nada mais a declarar, a não ser que estou completamente APAIXONADA pelo Breno, como no início do namoro, há 3 anos e 2 meses. Cada dia tenho mais certeza de que você é a pessoa certa, THE ONE. TE AMO INFINITAMENTE.

Espero comentários!
Beijos...





i ( abe ) mó
v
e ( lha ) l
você ( n
a ) está ( ú
nica )
dorm ( rosa ) indo

e. e. cummings